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![]() A ROTULAGEM AMBIENTAL NO CONTEXTO DE COMÉRCIO
INTERNACIONAL
Diego Castro
Selene Castilho Silvia Miranda
Nas últimas décadas, verificou-se no cenário mundial o desenvolvimento de novas formas de comercialização, estimuladas pela eliminação de barreiras geográficas e maiores facilidades de comunicação, resultando na intensificação do contato entre países, e na promoção de acordos comerciais, entre outros. Por meio desse processo da globalização, o comércio sofreu grandes alterações, e apesar da manutenção da supremacia dos países ricos, vem promovendo um melhor equilíbrio de forças entre estes e os países em desenvolvimento. Basta observar a o posicionamento que estes últimos vêm assumindo na evolução recente das negociações multilaterais.
Essa abertura comercial estimulou muito a competitividade, e os países tentam proteger suas empresas como podem, causando um aumento sem precedentes principalmente de barreiras não-tarifárias. Neste contexto, alguns países têm estabelecido exigências ambientais que chegam a impedir mesmo a entrada de produtos importados em seu território, de forma a se configurar como uma barreira comercial. O limite entre medidas ambientais utilizadas de forma legítima pelos países, ou seja, visando efetivamente a proteção ao ambiente, e aquelas utilizadas com finalidade de proteção comercial, está longe de ser plenamente identificado e compreendido.
Devido ao advento dessas barreiras ambientais, os países exportadores têm buscado uma melhoria na adoção de seus padrões de qualidade ambiental e a ordenação legal para o uso sustentável de seus recursos naturais. Buscam ainda adequar-se aos padrões internacionais, como a ISO 14.000 (Organização Internacional de Normatização) que trata de questões e rótulos ambientais.
Os Rótulos Ambientais
Os rótulos ambientais são selos que visam a informar ao consumidor algumas características sobre o produto. Os rótulos ambientais costumam ser conhecidos também como “selo verde”, “selo ambiental” ou “rótulo ecológico” (Biazin e Godoy, 2000). Existem atualmente diversos programas de rotulagem e estes podem ser classificados em dois grupos: os de iniciativa própria, adotados e implantados pelo próprio fabricante dos produtos; e os de rotulagem terceirizada, conduzidos por organismos independentes do fabricante.
Rótulos de Fabricantes São rotulagens confeccionadas pelo fabricante dos produtos, também chamadas de autodeclarações ambientais. Podem evidenciar atributos como biodegradável, reciclável, não agressão à camada de ozônio, ou mesmo evidenciar apoio a programas de proteção ao meio ambiente, nos quais parte do lucro da venda dos produtos é revertido para propostas ambientais.
São os selos que mais geram polêmica no mercado, pois podem conter informações incorretas ou parciais.
Rótulos de Organizações ambientais
São as rotulagens conduzidas por órgãos independentes dos fabricantes. Elas podem ser voluntárias e aplicadas por terceiros com critérios bem definidos. São positivas e normalmente transformadas em produtos de marketing das empresas. Também podem ser mandatárias, quando o fabricante é obrigado pelo governo a prestar informações. Os rótulos mandatários podem ser informativos quando contêm informações técnicas e de alertas, ou podem ser avisos de risco, quando informam os danos causados ao ambiente ou à saúde, como é observado atualmente no caso dos alimentos geneticamente modificados. Atualmente, para os produtores, a rotulagem ambiental tem sido encarada como um instrumento para resolver os problemas ambientais, pois para a maioria das pessoas, basta um selo dizendo que o produto é ambientalmente correto para que suas vendas disparem. Porém, é importante ressaltar que a implantação de um selo verde é uma atitude de muita responsabilidade perante a sociedade, já que a questão ambiental é um problema de interesse geral e um rótulo que não é sério, ou seja, que não cumpre sua função adequadamente, acaba prejudicando não só o ambiente mas toda a sociedade e a credibilidade no próprio sistema de rotulagem.
Há vários selos e a ISO os classifica basicamente em três tipos:
Histórico da rotulagem ambiental
Durante a década de 1940, surgiram os primeiros rótulos obrigatórios, que obedeciam a legislações sobre saúde e meio ambiente, principalmente na área de agrotóxicos e raticidas, contendo especificações sobre uso e armazenagem. Foi na década de 1970, devido à pressão feita pelo movimento ambientalista, que surgiram os rótulos voluntários para produtos orgânicos. Esses rótulos poderiam ser fornecidos por entidades ambientais ou pelo agricultor.
Nas décadas de 70 e 80, houve um aumento nas discussões sobre temas transfronteiriços, como a redução da biodiversidade, a destruição da camada de ozônio, as mudanças climáticas, a chuva ácida, entre outros. Os fabricantes de “produtos verdes” passaram a usar ações de promoção (em programas de marketing) para informar suas práticas ambientalistas e conquistar consumidores “verdes”, agora em número muito maior. Contudo, para divulgar as boas práticas ambientais e conquistar novos mercados, os produtores passaram a utilizar os selos ambientais em larga escala.
Como exemplos de alguns dos principais rótulos pode-se citar:
Devido a essas exigências, alguns fabricantes passaram a declarar informações incertas em seus rótulos causando um uso indevido dos termos “reciclável”, “biodegradável”, “sem CFC”, e “protege a natureza”, e com isso reafirmando a necessidade de uma padronização com relação às informações e termos utilizados, tanto regional como transnacionalmente. Devido a esse aumento exagerado de selos ambientais, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) elaborou um levantamento, em 1990, das características dos selos existentes e sua compatibilização com o GATT-Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio.
A questão da rotulagem passou a ser discutida em âmbito internacional por vários órgãos como a ONU (Organização das Nações Unidas), a própria OCDE e a OMC (Organização Mundial do Comércio), além de ser discutida também pela ISO (Organização Internacional de Normalização).
Há uma crítica geral a respeito do elevado número de rótulos ambientais existentes no mercado, o que leva a questionamentos sobre a própria concessão desses rótulos e sua aceitação no mercado. Conseqüentemente, se estas rotulagens traduzem os reais interessesda sociedade quanto às questões ambientais. Observa-se não só processos de rotulagem conduzidos por entidades certificadoras, mas também uma proliferação de auto-rotulagens pelas empresas, muitas vezes priorizando interesses diretamente ligados a melhorar o seu desempenho comercial. Diante disto, observa-se uma extensa gama de critérios que têm sido adotados nesses processos de rotulagem, nem sempre coincidentes. A rotulagem é um dos temas tratados nas normas técnicas notificadas pelos países ao Acordo de Barreiras Técnicas (TBT) da OMC, destacando-se como uma das justificativas mais recorrentes para a imposição de exigências técnicas. A rotulagem ambiental enquadrase não somente sob o objetivo da proteção ambiental como também sob o escopo da prevenção de práticas enganosas (ou seja, tendo como objetivo prover informação ao consumidor).
Referências consultadas:
Braga, S. & Miranda, L.C. de (Org); Comércio e Meio Ambiente: uma agenda positiva
para o desenvolvimento sustentável. Brasília: MMA/SDS, 2002. 310p.
Godoy, A.M.G. & Biazin, C.C.; A rotulagem ambiental no Comércio Internacional,
Anais 4ºEncontro Eco-Eco, 2000.
Nutrifoco. Rotulagem de alimentos. Disponível no site: http://www.nutrifoco.com.br (acesso em
22/03/04).
Regazzi, Carlos L. A realidade da rotulagem ambiental. Disponível e: http://www.itec.com.br
(acesso 14/04/04).
Dados complementares:
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